Tecnologia na Educação

IA na educação: como o Brasil está regulamentando esse ensino

IA na educação: como o Brasil está regulamentando esse ensino

Enquanto as escolas discutem se e como utilizar a inteligência artificial em sala de aula, o Congresso Nacional avança na pauta

Inteligência Artificial no currículo: como o Brasil está regulamentando o ensino de IA

Enquanto as escolas discutem se e como utilizar a inteligência artificial em sala de aula, o Congresso Nacional já avança em uma resposta mais estruturada: incluir a IA de forma permanente na Política Nacional de Educação Digital (PNED) e na própria organização curricular da educação básica. Para gestores escolares e redes de ensino, entender essa movimentação legislativa deixou de ser uma curiosidade e passou a ser uma forma de antecipação estratégica.

O que está em tramitação

O Projeto de Lei 2129/25, de autoria do deputado Nitinho (PSD-SE) é, atualmente, uma das principais propostas em tramitação na Câmara dos Deputados sobre o tema. A Comissão de Educação aprovou um substitutivo apresentado pelo relator, deputado Prof. Reginaldo Veras (PV-DF), que altera a estratégia original do projeto.

Em vez de criar uma lei específica para o ensino de inteligência artificial, o texto passa a integrar a IA diretamente à Política Nacional de Educação Digital (PNED), legislação que já estabelece diretrizes para a educação digital no país, incluindo aspectos relacionados ao pensamento computacional, ao mundo digital e à cultura digital.

Pelo texto aprovado, a inteligência artificial passa a ser tratada como um tema transversal e interdisciplinar. Isso significa que ela não se torna uma disciplina isolada no currículo, mas passa a permear componentes curriculares já existentes, como Matemática e Ciências, seguindo uma lógica de integração entre áreas do conhecimento.

Ao justificar essa escolha, o relator destacou que o mundo digital já faz parte da vida dos estudantes e apresenta riscos que exigem reflexão constante sobre temas como privacidade, segurança de dados e impactos éticos dos algoritmos. Dessa forma, a proposta não se limita ao domínio técnico da ferramenta, mas também considera a formação crítica dos estudantes diante das novas tecnologias.

Formação de professores como peça central

Um dos pontos mais relevantes do projeto para gestores de redes de ensino é a formação continuada. O texto aprovado prevê que o poder público promova a capacitação de professores e gestores escolares para o uso pedagógico da inteligência artificial, independentemente da área de formação original de cada profissional.

Na prática, a proposta reconhece um desafio que muitas escolas já enfrentam: a tecnologia avança em um ritmo mais acelerado do que a formação docente disponível. Ao estabelecer a capacitação como uma responsabilidade do poder público, o projeto busca reduzir essa distância e preparar os profissionais da educação para lidar com as novas tecnologias de maneira pedagógica e responsável.

Essa direção também dialoga com outro projeto em tramitação na Câmara, o PL 1614/25, que já recebeu parecer favorável na Comissão de Educação e inclui conteúdos relacionados à inteligência artificial, à segurança na rede e à proteção de dados pessoais na formação continuada dos profissionais da educação, em alinhamento com o Marco Civil da Internet.

Embora tramitem separadamente, os dois projetos partem de uma preocupação semelhante: a necessidade de preparar os profissionais da educação para os desafios e possibilidades trazidos pela inteligência artificial. A formação docente em IA tende, portanto, a ganhar cada vez mais espaço nas políticas públicas educacionais.

O que ainda falta para virar lei

É importante que gestores e coordenadores pedagógicos acompanhem essa pauta com atenção e precisão, sem antecipar uma aprovação que ainda não aconteceu.

O PL 2129/25 tramita em caráter conclusivo, o que significa que pode ser aprovado diretamente pelas comissões da Câmara dos Deputados, sem necessariamente passar pelo Plenário. No entanto, sua tramitação ainda não foi concluída.

Após a aprovação na Comissão de Educação, o projeto precisa passar pela análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Concluída a tramitação na Câmara dos Deputados, o texto seguirá para o Senado Federal, onde também precisará ser aprovado antes de se tornar lei.

Ou seja, o projeto avança, mas ainda está em fase de tramitação nas comissões da Câmara. Prazos de adequação curricular e regras definitivas de implementação somente serão estabelecidos após a conclusão do processo legislativo e eventual sanção da proposta. Além disso, o texto ainda poderá sofrer alterações durante as próximas etapas de tramitação.

Por que isso importa para a sua rede agora?

Redes de ensino que esperarem a sanção da lei para começar a se organizar poderão ter menos tempo para estruturar suas ações. A direção apresentada pelo texto já sinaliza alguns princípios importantes: transversalidade entre os componentes curriculares, atenção à cidadania digital e à ética no uso da tecnologia e fortalecimento da formação continuada dos profissionais da educação.

Esses princípios dialogam com a própria perspectiva da educação digital e com as competências relacionadas à Computação na educação básica, especialmente nos campos do pensamento computacional, do mundo digital e da cultura digital.

Para redes que já estruturam sua prática pedagógica em torno da BNCC de Computação, a discussão sobre inteligência artificial pode representar uma ampliação de uma base que já está sendo construída, e não necessariamente o início de um novo processo.

Antecipar a formação dos professores e começar a discutir a integração da inteligência artificial ao currículo permite que as redes acompanhem a evolução da legislação com mais planejamento e segurança, em vez de precisar estruturar essas ações somente após a entrada de novas exigências em vigor.

Quer entender como conectar pensamento computacional, inteligência artificial e a Política Nacional de Educação Digital à prática da sua rede de ensino? Entre em contato com a equipe CyberGênios.

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